MABON – TEATRO ALQUIMICO – 2026
O Mabon é um momento de celebração e reflexão profunda, onde honramos a abundância da Terra e fazemos as pazes com o que já não nos serve. Num ambiente mágico e tranquilo, imerso na natureza selvagem da Serra de Sintra, vamos explorar o equilíbrio entre a luz e a escuridão e o ciclo eterno da vida, morte e renascimento. Este convite é para todos aqueles que sentem a necessidade de se ligarem à natureza, aos ciclos da vida e à sabedoria ancestral.
Mabon, como ponto de equilíbrio entre a luz e a escuridão, é um dos momentos mais poderosos da Roda do Ano. Este festival, que marca o equinócio de outono, convida-nos a refletir sobre os ciclos naturais da vida, celebrando a abundância da colheita e, ao mesmo tempo, reconhecendo a necessidade de dar espaço para a renovação através da libertação do velho e do que já não serve mais. A energia do Mabon é de transição, onde somos convidados a equilibrar a luz e a sombra, tanto no mundo exterior quanto em nosso interior.
O Significado de Mabon na Mitologia e na História
O nome Mabon vem de Mabon ap Modron, o jovem deus galês da fertilidade, que representa a energia solar, vigorosa e criativa, mas também é simbólico da transição do deus solar para o descanso necessário antes de renascer. No entanto, a sua morte, ou retiro para o submundo, marca o fim de um ciclo de luz, apenas para ser sucedido por outro ciclo de renascimento. Essa jornada é representada como a morte de um ciclo que prepara o terreno para o próximo.
Na mitologia celta, Mabon é muitas vezes associado à busca de equilíbrio entre forças complementares: luz e escuridão, vida e morte, crescimento e colheita. As imagens de folhas que caem, os grãosa ser recolhidos, e a paisagem transformada nas cores douradas do outono, refletem o mesmo processo de transformação interna que ocorre em cada ser humano durante este período.
O Equilíbrio e a Dualidade
O equinócio de outono, que ocorre geralmente por volta de 21 de setembro, é a época em que o dia e a noite têm a mesma duração, o que simboliza a harmonia e o equilíbrio perfeito entre as duas forças opostas. Este momento de equilíbrio não é apenas físico, mas também energético e espiritual. Em muitos aspetos da vida, o equilíbrio entre a luz e a escuridão é refletido nas nossas emoções, nas relações interpessoais, no trabalho e até nas nossas decisões. O Mabon convida a fazer uma pausa e a questionar onde estamos nas nossas próprias vidas: estamos a equilibrar bem essas dualidades?
Este momento nos lembra que devemos estar conscientes do que é necessário para a nossa saúde e bem-estar emocional e espiritual. O ritual de Mabon envolve um mergulho profundo no reconhecimento das nossas próprias dualidades, levando-nos a refletir sobre as forças internas que governam nossas ações, emoções e pensamentos.
Mabon é antes de tudo um momento de agradecimento. A colheita física, representada pelas abundantes frutas e grãos, simboliza a colheita das nossas próprias ações e esforços ao longo do ano. É tempo de refletir sobre o que semeamos nas diversas áreas da nossa vida e celebrar os frutos que conseguimos colher. Pode-se oferecer uma oração de gratidão pelos dons recebidos, pela abundância que sustenta o corpo e a alma, e também para aquilo que foi aprendido durante o ciclo. Para além disso, é hora de partilhar esses frutos com os outros — como a generosidade das comunidades tradicionais, onde os banquetes de outono eram feitos para celebrar juntos a abundância.
Libertação e Desapego
Mabon, como muitas festividades da Roda do Ano, também convida ao desapego. A queda das folhas das árvores simboliza o processo de nos livrarmos do que não serve mais: ideias, comportamentos, relações, objetos ou padrões emocionais que já não têm valor. Este desapego é necessário para abrir espaço para a transformação.
O ato simbólico de escrever aquilo que queremos deixar para trás, seja um papel, uma carta ou uma oração, e depois queimá-lo ou enterrá-lo, ajuda a concretizar o processo de libertação. O desapego não é um fim, mas um novo começo, uma semente que será plantada para o ciclo de crescimento que virá.
No Mabon, o culto ao equilíbrio estende-se para as relações humanas. À medida que os dias se tornam mais curtos e as noites mais longas, somos chamados a passar tempo com aqueles que amamos, para nutrir as nossas ligações e fortalecer os laços. Assim como a natureza que se prepara para um tempo de introspeção, também nós devemos reservar momentos de conexão profunda, seja através de conversas, jantares ou meditação. O equilíbrio é alcançado não só dentro de nós, mas também nos relacionamentos que cultivamos ao longo de nossa jornada.
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